Este senhor, ex-economista chefe do Fundo Internacional Monetário (FMI), veio levantar um pé de vento ao nosso governo.
Ultimamente tenho lido assiduamente o Jornal de Negócios, que é grátis na minha faculdade, e tem sido uma bela companhia durante os 15 minutos que demora a mudança de professor. Embora ache que exista um alarmismo por vezes excessivo no tom em que são escritas as notícias, por outro lado é sempre bom levar uma ensaboadela de economia.
Voltando ao assunto principal, o ex-economista chefe do FMI veio dizer no seu blog e na sua coluna no New York Times, onde ultimamente tem vindo a fazer uma análise da crise económica juntamente com outros economistas, que Portugal será o "próximo problema global", acompanhando assim a crise Argentina de 2002 e a Grécia em 2010. Não percebo imenso, quase nada, de economia, a mim é mais história, mas pelo que tenho lido parece-me que o Simon Johnson fala com alguma propriedade. Não esquecer que o FMI tem como principal objectivo ajudar os países com crises económicas, estando deste modo habituado a lidar com estes assuntos.
Para Sócrates e Cª, leia-se Teixeira dos Santos, esta bomba não veio nada a calhar. Num momento em que a principal preocupação era tentar credibilizar o nosso Programa de Estabilidade Económica (PEC) junto da União Europeia, esta entrevista é claramente uma grande mancha numa enorme manta, que está cada vez mais punhada de retalhos. Logo saltou para os jornais o nosso ministro de economia respondendo a uma análise económica e construtiva de um economista consagrado internacionalmente dizendo que:
"num Mundo de expressão livre também se podem escrever disparates sem fundamentação sólida, reveladores de ignorância quanto às diferenças existentes entre os países da zona Euro, e que bem ilustram o preconceito céptico de alguns comentadores quanto à moeda única". Afirmação que nos leva a querer levar mais fundo esta pequena quezília.
Se por um lado parece excessivo acusar um Professor da Universidade norte-americana MIT - Massachusetts Institute of Technology, que faz parte do Instituto de Economia Internacional (em Washington), que é conselheiro económico do Departamento Orçamental do Congresso dos EUA (Congressional Budget Office) e foi economista chefe e director do departamento de investigação do FMI de não reconhecer as diferenças entre dois países europeus num artigo escrito para o New York Times, por outro lado parece-me que faz algum sentido apontar o dedo para vários comentadores económicos, na sua grande maioria norte-americanos, que condenam o Euro desde o momento em que se começou a falar sobre ele. Mais do que um ataque a Portugal, que também faz todo o sentido, julgo que este ataque se dirige principalmente à moeda europeia com o objectivo de ver qual a capacidade que os países da zona euro, leia-se Alemanha e França, tem de responder à crise com uma moeda forte. A perspectiva de o dólar ganhar algum terreno ao euro, ou do último perder para o primeiro, pode ser outro factor que também contextualize esta entrevista de Simon Johnson. Um primeiro sinal já foi dado, conseguindo existir um consenso, ainda muito verde, dentro da Europa, ajuda à Grécia em 110 milhões de euros. Claro que uma ajuda destas trás consequências para a nossa política económica. Merkel veio já dizer que Portugal tem que aprender com o exemplo da Grécia e diminuir o seu défice o mais rápido possível. Por outro lado Johnson afirma que a atitude do executivo de sócrates é de um Estado que está em negação e que não olha para a crise que tem pela frente com seriedade.
Podemos resumir tudo isto a:
i. Portugal terá que inevitávelmente olhar com seriedade para os seus problemas, olhar para a Grécia, Argentina e Irlanda, contextualizá-los, matizá-los e adoptar uma série de medidas reais para a actual crise económico-financeira
ii. O Vasco Pulido Valente a Primeiro-Ministro:
Medidas de Vasco Pulido Valente para a salvação do país (no Público):
1.º Reduzir o número de feriados. Quatro chegam: o Natal, o Ano Novo, o Dia de Portugal e a Sexta-feira Santa.
2.º Fechar empresas públicas: as que são inteiramente substituíveis (por exemplo, a EPUL e a RTP) e as que perdem dinheiro sem qualquer resultado relevante ou benéfico (a lista é infinita).
3.º Fechar as fundações e pseudofundações que o Governo sustenta, quer directamente (ou seja, do centro), quer através das câmaras.
4.º Vender as propriedades do Estado que não servem um interesse nacional evidente (quartéis, prédios, matas, florestas, por aí fora).
5.º Vender os submarinos e outro armamento inútil ou excessivo.
6.º Demolir e vender o autódromo do Estoril, o autódromo do Algarve e meia dúzia de estádios deficitários, sem indemnização a particulares.
7.º Suspender imediatamente os grandes projectos (o novo aeroporto, o TGV, a TTT). 2.º Não construir um único quilómetro de auto-estrada.
8.º Proibir a contratação de mais funcionários públicos.
9.º Eliminar serviços sem objecto ou mesmo nocivos (por exemplo, o Instituto do Livro).
10.º Congelar as promoções no funcionalismo, pelo menos, durante 5 anos.
11.º Acabar com o chamado "subsídio de férias".
12.º Pôr um limite legal à despesa do Estado.
13.º Aumentar o IVA dois por cento.
14.º Regular a banca estrita e rigorosamente.
f.braga
Para Sócrates e Cª, leia-se Teixeira dos Santos, esta bomba não veio nada a calhar. Num momento em que a principal preocupação era tentar credibilizar o nosso Programa de Estabilidade Económica (PEC) junto da União Europeia, esta entrevista é claramente uma grande mancha numa enorme manta, que está cada vez mais punhada de retalhos. Logo saltou para os jornais o nosso ministro de economia respondendo a uma análise económica e construtiva de um economista consagrado internacionalmente dizendo que:
"num Mundo de expressão livre também se podem escrever disparates sem fundamentação sólida, reveladores de ignorância quanto às diferenças existentes entre os países da zona Euro, e que bem ilustram o preconceito céptico de alguns comentadores quanto à moeda única". Afirmação que nos leva a querer levar mais fundo esta pequena quezília.
Se por um lado parece excessivo acusar um Professor da Universidade norte-americana MIT - Massachusetts Institute of Technology, que faz parte do Instituto de Economia Internacional (em Washington), que é conselheiro económico do Departamento Orçamental do Congresso dos EUA (Congressional Budget Office) e foi economista chefe e director do departamento de investigação do FMI de não reconhecer as diferenças entre dois países europeus num artigo escrito para o New York Times, por outro lado parece-me que faz algum sentido apontar o dedo para vários comentadores económicos, na sua grande maioria norte-americanos, que condenam o Euro desde o momento em que se começou a falar sobre ele. Mais do que um ataque a Portugal, que também faz todo o sentido, julgo que este ataque se dirige principalmente à moeda europeia com o objectivo de ver qual a capacidade que os países da zona euro, leia-se Alemanha e França, tem de responder à crise com uma moeda forte. A perspectiva de o dólar ganhar algum terreno ao euro, ou do último perder para o primeiro, pode ser outro factor que também contextualize esta entrevista de Simon Johnson. Um primeiro sinal já foi dado, conseguindo existir um consenso, ainda muito verde, dentro da Europa, ajuda à Grécia em 110 milhões de euros. Claro que uma ajuda destas trás consequências para a nossa política económica. Merkel veio já dizer que Portugal tem que aprender com o exemplo da Grécia e diminuir o seu défice o mais rápido possível. Por outro lado Johnson afirma que a atitude do executivo de sócrates é de um Estado que está em negação e que não olha para a crise que tem pela frente com seriedade.
Podemos resumir tudo isto a:
i. Portugal terá que inevitávelmente olhar com seriedade para os seus problemas, olhar para a Grécia, Argentina e Irlanda, contextualizá-los, matizá-los e adoptar uma série de medidas reais para a actual crise económico-financeira
ii. O Vasco Pulido Valente a Primeiro-Ministro:
Medidas de Vasco Pulido Valente para a salvação do país (no Público):
1.º Reduzir o número de feriados. Quatro chegam: o Natal, o Ano Novo, o Dia de Portugal e a Sexta-feira Santa.
2.º Fechar empresas públicas: as que são inteiramente substituíveis (por exemplo, a EPUL e a RTP) e as que perdem dinheiro sem qualquer resultado relevante ou benéfico (a lista é infinita).
3.º Fechar as fundações e pseudofundações que o Governo sustenta, quer directamente (ou seja, do centro), quer através das câmaras.
4.º Vender as propriedades do Estado que não servem um interesse nacional evidente (quartéis, prédios, matas, florestas, por aí fora).
5.º Vender os submarinos e outro armamento inútil ou excessivo.
6.º Demolir e vender o autódromo do Estoril, o autódromo do Algarve e meia dúzia de estádios deficitários, sem indemnização a particulares.
7.º Suspender imediatamente os grandes projectos (o novo aeroporto, o TGV, a TTT). 2.º Não construir um único quilómetro de auto-estrada.
8.º Proibir a contratação de mais funcionários públicos.
9.º Eliminar serviços sem objecto ou mesmo nocivos (por exemplo, o Instituto do Livro).
10.º Congelar as promoções no funcionalismo, pelo menos, durante 5 anos.
11.º Acabar com o chamado "subsídio de férias".
12.º Pôr um limite legal à despesa do Estado.
13.º Aumentar o IVA dois por cento.
14.º Regular a banca estrita e rigorosamente.
f.braga

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