Peguei no livro de forma desinteressada, até leviana, sendo que não tem nada de leve, uma edição do Jornal Público, pertence à colecção Mil Folhas. As primeiras linhas prenderam-me de forma brutal e intensa dentro de um mundo que apenas era, para mim, mais ou menos definido, percebido e contextualizado. Contudo a violência crua da escrita de Levi arranca-nos da nossa segurança mental, da protecção do nosso mundo e do nosso modo de esquecer.
Levi é um Judeu Italiano que em 1944 é deportado para Auschwitz onde sobrevive durante um ano, abandonando a sua humanidade, transformando-se numa "coisa" que não deixou de ser até à sua morte em 1987. O livro leva-nos de forma simples e directa até àquilo que restou da sua experiência e dá-nos conta do há em todos nós, o mal.

