quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Primo Levi

Estava de férias em Agosto, tinha acabado de ler o livro que tinha levado para as férias, não podia continuar mais uma semana sem nada para ler, para se intrometer comigo nas horas que passo com algum sacrifício na praia. Na estante da casa alugada, entre muitos outros livros de leitura fácil para os bifes do costume, eis que se encontra o oásis: Se Isto é um Homem, de Primo Levi.

Peguei no livro de forma desinteressada, até leviana, sendo que não tem nada de leve, uma edição do Jornal Público, pertence à colecção Mil Folhas. As primeiras linhas prenderam-me de forma brutal e intensa dentro de um mundo que apenas era, para mim, mais ou menos definido, percebido e contextualizado. Contudo a violência crua da escrita de Levi arranca-nos da nossa segurança mental, da protecção do nosso mundo e do nosso modo de esquecer.


Levi é um Judeu Italiano que em 1944 é deportado para Auschwitz onde sobrevive durante um ano, abandonando a sua humanidade, transformando-se numa "coisa" que não deixou de ser até à sua morte em 1987. O livro leva-nos de forma simples e directa até àquilo que restou da sua experiência e dá-nos conta do há em todos nós, o mal.
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